Tem dias em que a gente está cansado. Há semanas mais puxadas, períodos de trabalho intenso, preocupações e muitas coisas para resolver. Isso faz parte da vida. O problema é quando o cansaço deixa de ser passageiro e começa a fazer parte da rotina.
O burnout aparece quando o estresse relacionado ao trabalho se torna intenso e persistente, levando a um estado de esgotamento que não melhora simplesmente com uma noite de sono ou um fim de semana de descanso.
Como saber se existe dependência emocional?
O estresse costuma estar ligado a uma situação específica e tende a diminuir quando ela passa. No burnout, a sensação de esgotamento permanece. A pessoa pode acordar já cansada, ter dificuldade de se concentrar, ficar mais irritada, perder a motivação e sentir que qualquer tarefa exige um esforço enorme.
Também pode surgir uma sensação de distanciamento do trabalho: aquilo que antes fazia sentido passa a parecer apenas mais uma obrigação. Às vezes, até atividades que costumavam trazer prazer começam a perder espaço.
E é comum que a pessoa continue insistindo: “Só preciso aguentar mais um pouco”, “Depois eu descanso”, “Quando essa fase passar, eu melhoro”. Só que a fase nunca parece passar.
Quando a gente perde contato com os próprios limites
Na Gestalt-terapia, damos importância à percepção do que acontece no aqui e agora: o que estou sentindo? Do que preciso? O que meu corpo está sinalizando?
Quando estamos muito envolvidos em dar conta de tudo, podemos deixar essas perguntas de lado. O corpo pede descanso, mas a gente continua. Surge irritação, mas seguimos trabalhando. A vontade de parar aparece, mas vem o pensamento de que não podemos diminuir o ritmo.
Aos poucos, vamos nos afastando de nós mesmos para atender às exigências externas.
Por isso, perceber os sinais antes de chegar ao esgotamento é tão importante. Nem sempre precisamos esperar o corpo “parar” para reconhecer que alguma coisa não está bem.
O que pode ajudar?
Começar a observar os próprios limites já é um passo. Isso pode significar reorganizar a rotina, estabelecer horários mais claros para o trabalho, fazer pausas, recuperar atividades que ficaram esquecidas e aprender a dizer “não” quando necessário.
Também é importante olhar para aquilo que está por trás da dificuldade de parar. É medo de decepcionar alguém? Necessidade de dar conta de tudo? Culpa ao descansar? Sensação de que seu valor depende do quanto você produz?
Essas questões podem ser importantes para compreender o que está acontecendo e construir uma relação mais saudável com o trabalho.
Quando buscar ajudar?
Se o cansaço, a irritação, a falta de motivação ou a dificuldade de se desligar do trabalho estão se tornando frequentes e afetando sua vida, seus relacionamentos ou seu bem-estar, vale procurar ajuda profissional. O burnout merece atenção e, em alguns casos, pode ser necessário também um acompanhamento médico.
Burnout não é falta de força de vontade. E você não precisa chegar ao seu limite para perceber que alguma coisa precisa mudar.
Às vezes, o primeiro passo é simplesmente parar e se perguntar: “Como eu estou vivendo tudo isso?”